Quatorze alunos de Nova Friburgo competem no Torneio Nacional de Robótica em São Paulo
Torneio Nacional de Robótica terá mais de 80 alunos da Firjan SESI representando o Rio de Janeiro
É chegada a hora de robôs arqueológicos saírem das oficinas rumo ao Torneio Nacional de Robótica em São Paulo. Entre os dias 5 e 8 de março – e também entre 12 e 15 do mesmo mês –, sete equipes das escolas Firjan SESI, num total de 84 jovens entre nove e 19 anos, estarão ao lado de mais de 2 mil estudantes das redes SESI SENAI, públicas e privadas de todo o país, disputando a etapa nacional que dará uma vaga no Torneio Mundial de Robótica em Houston, nos Estados Unidos. E a equipe Tucanus, da escola Firjan SESI Friburgo, segue nesta quarta-feira (4/3) para mais essa etapa e estará entre os mais de 2 mil estudantes, competindo na categoria FRC (FIRST Robotics Competition).
Tendo a Arqueologia como tema, a equipe de Nova Friburgo apresentará um robô de porte industrial, com até 55kg e mais de 1,5 metro de altura. Neste ano, eles participam com uma iniciativa inovadora: uma das alunas vai pilotar o robô a partir de uma Guitarra Gamer, da série de jogos eletrônicos Guitar Hero. No ano passado, o técnico da equipe friburguense venceu o prêmio de melhor técnico do Brasil. O grupo de jovens de 15 a 19 anos vai disputar uma vaga no Mundial de Robótica nos EUA.
“Estar em mais uma competição com a equipe Tucanus é muito mais do que acompanhar partidas ou ajustar o robô na arena. É viver novamente a emoção de ver nossos alunos transformando esforço em resultado, desafio em aprendizado e sonho em realidade. Como técnico, carrego a responsabilidade de orientar, mas também o privilégio de aprender todos os dias com cada integrante da equipe. Competir é importante. Ganhar é especial. Mas formar pessoas, desenvolver caráter, disciplina e trabalho em equipe, isso é o que realmente nos move”, destacou Romulo Costa, instrutor da equipe Tucanus da escola Firjan SESI Friburgo.
Entre os demais jovens da rede Firjan SESI, participam desta edição equipes das unidades Barra Mansa, Resende e Barra do Piraí na categoria FLL (FIRST Lego League Challenge), na qual alunos de 9 a 15 anos constroem robôs com peças Lego e criarem um projeto de inovação; uma equipe de São Gonçalo, na categoria FTC (FIRST Tech Challenge), composta por estudantes do Ensino Médio e robôs de porte semi-industrial; e jovens do Ensino Médio de Friburgo, Jacarepaguá, no Rio, e novamente Resende, na categoria FRC (FIRST Robotics Competition), com a missão de programar robôs de porte industrial, com até 55kg e mais de 1,5 metro de altura.
Vinícius Cardoso, diretor de Educação e Cultura da Firjan SENAI SESI, destaca como o ensino de Robótica, ao lado de outras metodologias, vem ajudando a desenvolver os alunos. “Uma pesquisa realizada com dados do INEP revelou que as Escolas Firjan SESI registraram o maior aumento de pontos do ENEM entre todas as redes de ensino do Rio, sejam públicas ou privadas. Além disso, mais de 80% dos nossos alunos têm renda familiar inferior a quatro salários-mínimos, mas suas notas médias são equiparadas às dos alunos de maior renda, que costumam ter mais oportunidades de acesso à cultura e à educação. Isso demonstra a equidade de oportunidades oferecidas pela Firjan SESI, o que se deve ao efeito escola – o maior entre todas as redes de ensino -, que é a diferença que a escola faz para diminuir a distorção de alunos com mais renda. E a Robótica é uma das várias metodologias diferenciadas que contribuem para isso”, explicou.
Robótica que ressignifica vidas
Um dos integrantes da equipe Tucanus, o aluno Miguel Evangelista, de 17 anos, do 3º ano, era de uma escola estadual e, antes de estudar na Firjan SENAI Friburgo, não sabia o que era Robótica. Aos 13 anos, foi diagnosticado com retocolite ulcerativa, uma doença rara e incurável. Na Firjan SENAI, acabou desenvolvendo interesse na Robótica e no uso da engenharia na medicina. Atualmente, ele faz curso técnico em Mecatrônica e pensa em estudar Engenharia ou Neuroengenharia para usar a tecnologia em possíveis alternativas e curas para diagnósticos como o dele. “A robótica deixou de ser apenas uma área de estudo e passou a representar um propósito de vida. Foi um divisor de águas na minha vida. Transformei minhas limitações físicas em um trampolim para voar mais alto. A robótica me deu propósito, autoestima, superação e fortaleceu minha comunicação e liderança. A robótica não apenas mudou meu futuro — ela ressignificou quem sou”, destaca Miguel, empolgado com a próxima competição em São Paulo.
O gerente de Educação Básica da Firjan, Vinícius Mano, ressalta a importância dos jovens se desenvolverem não só nas disciplinas curriculares, mas também pessoalmente. “Ninguém volta o mesmo depois de passar pela Robótica. É uma metodologia de ensino única, através da qual estimulamos a criatividade, o pensamento científico e habilidades práticas focadas em áreas como Matemática e Engenharia. E o torneio também estimula características de comunicação e de trabalho em equipe tão fundamentais para a vida”, disse.
Para estarem entre os melhores do Brasil, os jovens da Firjan SESI disputaram com 61 equipes, num total de cerca de 500 estudantes de escolas públicas, privadas, ONGs e equipes de independentes de todo o Rio e de outros dois estados (Bahia e Espírito Santo). Serão classificados para o mundial nos Estados Unidos – que acontece entre 29 de abril e 2 de maio – três competidores da FLLC, cinco da FTC e quatro da FRC. Eles concorrem ainda a troféus em categorias diversas que consideram a qualidade do trabalho apresentado, a cultura da robótica na comunidade, impacto social que a equipe desenvolveu na temporada, entre outras questões.